
A primeira coisa que aprendi com a tristeza
Foi conversar com uma mulher mais triste que eu.
Foi ver que a solidão é sempre uma companhia promíscua
Foi perceber que os sentidos não têm sentido de ser
Depois fui dar com o desespero
Em forma, jeito e ocasião de silêncio
E vi que calar independe da voz
E vi que minha vida independe de mim
Mais tarde ainda acendi o espelho
Ceguei-me aos poucos
Parti-me em muitas, me fundi com o sono.
Resolvi esquecer que desde o início
Somos feitos de caos.
Que somos a perfeição do caos.
