Estou entre a dor de um dia manso
Na tarde suspensa tão alta que evita a noite
Confabulando versões de meu passado
Em busca de uma definição para as coisas de escritório
Invertendo constantemente as prioridades da vida
Dando vez ao que não sei para que aconteça agora
Entre ligar para o plano de saúde
Entre dizer a ela que sinto falta de tudo
Entre a procura de um novo apartamento
Que não sei como vou pagar nem porquê
Tentanto enteder conceitos de multidão, capitalismo
E morte
Sabendo do término de um namoro caótico e inspirador
Querendo palavras, custando palavras
Com vontade de ligar para o judeu
Equilibrando o desejo de sumir com o de dormir ou fugir,
que na verdade são a mesma coisa e revelam tudo
exceto o que é que tenho que fazer pra resolver a morte
Entre as dívidas do banco
E a vontade de amar novamente
Entre a puta pressão que dá ao escrever
E malha fria que é tentar poesias
Estou entre o Indizível
(um dia falarei sobre ele)
E o gosto bom de um café na boca
Que ainda lembra que o dizer , às vezes,
é real.
quinta-feira, novembro 30, 2006
sábado, novembro 18, 2006
Música para Ana Carolina
Não tenho vontade de acordar
Mas à noite, quando tudo quieta
Nem penso na tristeza de dormir
Tenho pavor de falar
Ao telefone, prefiro as cobertas
Me Abrigo e me forço a desistir
Não quero cobrar
Dos outros as atitudes certas
Nem qualquer forma de agir
Não gosto de atravessar
A rua dos carros alertas
Que esperam a hora de rugir
Pra mim
O que vale é um casulo
A eternidade eu anulo
Na dor mais secreta
Pra mim
O que sei é um pulo
Pra dentro do muro
De uma alma aberta
Mas à noite, quando tudo quieta
Nem penso na tristeza de dormir
Tenho pavor de falar
Ao telefone, prefiro as cobertas
Me Abrigo e me forço a desistir
Não quero cobrar
Dos outros as atitudes certas
Nem qualquer forma de agir
Não gosto de atravessar
A rua dos carros alertas
Que esperam a hora de rugir
Pra mim
O que vale é um casulo
A eternidade eu anulo
Na dor mais secreta
Pra mim
O que sei é um pulo
Pra dentro do muro
De uma alma aberta
sábado, novembro 04, 2006
Despessoa
Não
Sei bem
Se nunca serei alguém
Sei da falta
Que me faz uma obra
Sei no fim
Que sempre esquecerei de mim
Não, e agora
Enquanto acaba essa hora?
Esse sol, esses espinhos
Esse ódio que odiamos
Deixe-me ser
O que sempre
Poderei ser!
Sei bem
Se nunca serei alguém
Sei da falta
Que me faz uma obra
Sei no fim
Que sempre esquecerei de mim
Não, e agora
Enquanto acaba essa hora?
Esse sol, esses espinhos
Esse ódio que odiamos
Deixe-me ser
O que sempre
Poderei ser!
Ter, do verbo hoje
Hoje eu tive sombra
Tive riso de alguém
Tive pingo de chuva que não saiu
Tive passos
Tive pulos
E uma tristeza dócil
Hoje eu tive cadarços
Tive ar demais
Tive um sol acima
Tive Caetano pessoalmente
Tive trem
E um amor febril
Hoje eu tive louças
Tive água
Tive intuição
Tive um abraço fino
Tive canto ao longe
E um chupão
Hoje eu tive dor de dente
Tive paz às vezes
Tive sonho
Tive escada
Tive esperança
E tive pão
Hoje tive muito
Tanta coisa hoje
Fui rica e cheia
E saciei tantas fomes
de ter
Tive a mim
E ao mundo
E agora só preciso de um dia
Preciso do quê?
Tive riso de alguém
Tive pingo de chuva que não saiu
Tive passos
Tive pulos
E uma tristeza dócil
Hoje eu tive cadarços
Tive ar demais
Tive um sol acima
Tive Caetano pessoalmente
Tive trem
E um amor febril
Hoje eu tive louças
Tive água
Tive intuição
Tive um abraço fino
Tive canto ao longe
E um chupão
Hoje eu tive dor de dente
Tive paz às vezes
Tive sonho
Tive escada
Tive esperança
E tive pão
Hoje tive muito
Tanta coisa hoje
Fui rica e cheia
E saciei tantas fomes
de ter
Tive a mim
E ao mundo
E agora só preciso de um dia
Preciso do quê?
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